Fomos ao Museu Oscar Niemeyer no fim de julho de 2026 e, já adianto: a exposição africana em Curitiba, que está em cartaz foi simplesmente a melhor que já vimos sobre o tema. Ela foi oficialmente batizada de “África, Expressões Artísticas de um Continente: Intersecções Contemporâneas”, ocupa a Sala 4 do MON há meses, e tem uma curadoria muito bem-feita. A mostra reúne peças que raramente aparecem juntas num museu brasileiro, e coloca tradição e contemporaneidade lado a lado sem que uma abafe a outra.
Já tínhamos passado pelo MON antes, mas nunca com essa mostra específica em cartaz. Neste artigo vou te contar o que vimos na Sala 4, quem está por trás da curadoria, de onde vêm as peças e até quando ainda dá tempo de conferir com seus próprios olhos.
- O que é a exposição "África, Expressões Artísticas de um Continente"
- A coleção por trás da mostra
- Os artistas contemporâneos em diálogo com o acervo
- Análise da exposição africana do MON
- O que vimos na Sala 4
- Um giro pela Sala 4, em vídeo
- Onde fica e até quando: exposição africana em Curitiba
- Vale a pena visitar a exposição africana do MON?
- Perguntas frequentes sobre a exposição africana em Curitiba
- Uma das melhores coleções de arte africana que já vimos
O que é a exposição “África, Expressões Artísticas de um Continente”
A exposição “África, Expressões Artísticas de um Continente: Intersecções Contemporâneas” é uma mostra do MON dedicada à arte africana, reorganizada em dezembro de 2025 para incluir um núcleo de arte contemporânea em diálogo com o acervo tradicional. Fica na Sala 4 do museu, com entrada inclusa no ingresso geral, e vai até 30 de agosto de 2026.
A curadoria geral é assinada por Renato Araújo, historiador que já vinha trabalhando com a coleção de base da mostra antes dessa reformulação. A esse núcleo somaram-se dois projetos específicos: um trabalho de vídeo-arte com curadoria de Nadine Hounkpatin, e o projeto “Errâncias”, assinado por Paulo Miyada e Ana Roman. A reformulação, batizada de “Intersecções Contemporâneas”, parte de conceitos do filósofo Édouard Glissant sobre memória, origem e deslocamento, e usa esse fio condutor para conectar máscaras e esculturas de origem africana a produções recentes de artistas que dialogam com esse repertório.
A coleção por trás da mostra
O acervo base da exposição africana em Curitiba veio da doação de Ivani e Jorge Yunes ao museu, um casal que reuniu peças de origem africana ao longo de mais de cinco décadas. O MON recebeu essa coleção em 2021 e, desde então, mantém boa parte dela exposta na Sala 4, com mostras que se renovam periodicamente.
São milhares de peças ao todo, entre máscaras, esculturas, bustos e cabeças em bronze, miniaturas metálicas, objetos do cotidiano e instrumentos musicais. As origens cobrem um recorte amplo do continente:
- Costa do Marfim
- Mali
- Nigéria
- Camarões
- Gabão
- Angola
- República Democrática do Congo
- Moçambique
Essa variedade é, sem dúvida, o que separa essa mostra de boa parte do que se vê por aí quando o assunto é arte africana em museus brasileiros. Não é uma sala com meia dúzia de máscaras, umas estatuazinhas e um texto de parede genérico. É um recorte com identidade própria, que resiste à tentação de tratar “arte africana” como uma categoria única. A variedade de peças também foi uma grata surpresa.
Os artistas contemporâneos em diálogo com o acervo
A reformulação de dezembro de 2025 trouxe um grupo de artistas contemporâneos para “conversar”, digamos assim, com o acervo histórico, e essa é a parte da mostra que muda a cada visita, já que os projetos de vídeo-arte e instalação têm destaque dentro da sala.
- Tuli Mekondjo, artista da Namíbia
- Josèfa Ntjam, franco-camaronesa
- Rayana Rayo, do Recife
- José Eduardo Ferreira Santos, da Bahia
- César Bahia, de Salvador
A França entra aqui por um motivo específico: a reformulação faz parte da programação do Ano da França no Brasil, o que explica a presença de nomes ligados à cena francesa, como Nadine Hounkpatin, responsável pelo núcleo de vídeo-arte, e o projeto “Errâncias”, de Paulo Miyada e Ana Roman.
Análise da exposição africana do MON
Quando visitamos a exposição de arte africana no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, várias perguntas interessantes surgem. Como podemos entender e valorizar toda a arte produzida na África, um continente tão grande e com uma história tão longa? É impossível resumir tudo isso em uma única exposição.
Por isso, é sempre bom prestar atenção em quais regiões, povos e períodos da história uma mostra como essa está focando. Por exemplo, a arte do Egito antigo muitas vezes é mostrada separada do resto da arte africana. Existem motivos para isso, mas também é legal pensar em como elas se conectam.
Outra coisa que chama a atenção é a diferença entre a arte de grandes impérios e civilizações, como os da Europa ou da Ásia, e a arte de povos africanos que viviam mais conectados com a natureza. Enquanto os europeus foram caminhando para uma arte que tentava copiar fielmente o mundo visível, muitos artistas africanos mantiveram um estilo mais expressivo e simbólico, usando formas criativas para representar o divino e o mítico, como o que vemos nessa exposição.
Para nós brasileiros, mesmo sabendo da importância e da forte ligação que temos com a herança africana, ainda estamos muito acostumados com o jeito europeu tradicional de ver a arte. Isso não é um defeito, claro. Mas é bacana pensar que a imagem e a arte podem ter outras formas de expressão além de tentar copiar a realidade. A arte africana nos mostra um outro olhar, uma outra maneira de imaginar e criar. Esse exercício de pensar diferente é muito enriquecedor.
De qualquer forma, quando os artistas europeus do início do século XX, como Picasso, conheceram as esculturas e máscaras africanas, isso teve um impacto enorme em sua maneira de pensar a imagem. Ajudou eles em seu intuito de se desvencilhar da arte tradicional e criar novas formas de expressão.
No fim das contas, o mais importante é entender que a arte africana é muito diversa e complexa, cheia de tesouros que muitas vezes são ignorados ou mal compreendidos pelo Ocidente. Exposições como essa do MON são importantes para nos aproximar dessa riqueza, mas o ideal é que elas sejam só o começo de um estudo cada vez mais profundo.
O que vimos na Sala 4
A Sala 4 é grande, e a primeira impressão é de fartura: máscaras em fileira, esculturas em pedestais espalhados pelo espaço, peças menores também, que pedem que você se aproxime para enxergar os detalhes do entalhe. Passamos um bom tempo ali, olhando tudo.
O que nos chamou atenção não foi uma peça isolada, mas o conjunto. Vamos ser sinceros em dizer que o mais comum, quando se trata de uma exposição com foco na África, é ver muitas máscaras africanas, alguma cerâmica e meia dúzia de estátuas. Os livros didáticos atuais também fogem muito pouco disso. No entanto, vimos uma variedade muito bacana ali: bustos de bronze com traços marcados dividem espaço com máscaras de madeira de origem completamente diferente, e a curadoria não tenta esconder essas distâncias geográficas e temporais. Cada núcleo mantém sua identidade, mesmo estando na mesma sala. Há inclusive algumas telas, o que definitivamente não é comum.
O núcleo contemporâneo aparece intercalado, não isolado num canto à parte. Isso evita aquela sensação de anexo que costuma acontecer quando um museu tenta conectar seu acervo histórico com produção atual sem integrar os dois de verdade. Nesse caso, a integração definitivamente funciona.
A mostra foi tão satisfatória que trouxemos para casa o livro-catálogo sobre ela que, inclusive, estava a um preço ótimo.
Um giro pela Sala 4, em vídeo
Gravamos esse passeio pela Sala 4, pra quem quiser ver um pouco do que há lá antes (ou depois) de visitar pessoalmente.
Onde fica e até quando: exposição africana em Curitiba
A exposição africana em Curitiba está na Sala 4 do MON, com entrada inclusa no ingresso do museu (R$ 36 a inteira, R$ 18 a meia-entrada), e fica em cartaz até 30 de agosto de 2026. O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, com acesso às salas permitido até as 17h30.
Se você ainda não conhece o museu como um todo, o nosso guia completo do MON Curitiba traz horário atualizado, preço, o que levar, como chegar e o que esperar, porque a Sala 4 é só uma parte de tudo que dá para ver por lá.
Vale a pena visitar a exposição africana do MON?
Vale a pena sim, e não é um elogio automático, ok? Poucas exposições de arte africana em museus brasileiros têm essa variedade geográfica e esse volume de peças reunidas num só espaço. Se você já visitou outras coleções desse tipo e saiu com a sensação de estar vendo sempre a mesma seleção de máscaras, essa mostra com certeza rompe com isso.
Reserve pelo menos trinta minutos só para a Sala 4, sem contar o resto do museu. Quem gosta de olhar com calma cada peça, deve dobrar esse tempo.
Perguntas frequentes sobre a exposição africana em Curitiba
Reuni aqui as principais informações para você.
O que é a exposição de arte africana do MON?
É a mostra “África, Expressões Artísticas de um Continente: Intersecções Contemporâneas”, na Sala 4 do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Reúne o acervo da doação de Ivani e Jorge Yunes ao museu, com curadoria de Renato Araújo, e um núcleo de arte contemporânea acrescentado em dezembro de 2025.
Até quando a exposição africana em Curitiba fica em cartaz?
A mostra estará em cartaz até 30 de agosto de 2026, dentro do horário normal de funcionamento do MON, de terça a domingo, das 10h às 18h.
Onde fica a exposição dentro do MON?
Fica na Sala 4, no prédio principal do museu, à esquerda de quem chega pela escada e a entrada está inclusa no ingresso geral do MON.
A mostra é sobre arte tradicional ou contemporânea?
As duas coisas. O núcleo histórico reúne máscaras, esculturas e objetos tradicionais de países africanos, e desde dezembro de 2025 a exposição ganhou um núcleo de arte contemporânea, com artistas que dialogam com esse acervo.
Quem é o curador da exposição?
A curadoria geral é de Renato Araújo. O núcleo de vídeo-arte tem curadoria de Nadine Hounkpatin, e o projeto “Errâncias” é assinado por Paulo Miyada e Ana Roman.
Uma das melhores coleções de arte africana que já vimos
Já vimos coleções de arte africana em museus menores e maiores, no Brasil e fora, e essa do MON fica entre as melhores, – senão a melhor – pela variedade de origens, pelo volume de peças e pela forma como o núcleo contemporâneo se encaixa sem atropelar o resto. Se Curitiba está no seu roteiro antes de 30 de agosto de 2026, recomendamos reservar tempo para a Sala 4.
Você já viu alguma boa exposição de arte africana em um museu brasileiro? Como foi a experiência?

