O Instituto Collaço Paulo é uma daquelas visitas obrigatórias para quem mora em Florianópolis e gosta de acompanhar arte de perto. Nós visitamos o espaço com frequência há anos, desde muito próximo da fundação, em 2022, e nos últimos dois ou três anos temos sido convidados pra praticamente todas as vernissages por lá. É difícil sair da abertura de uma exposição nova sem pensar em quando será a próxima.
Ele fica na rua principal do bairro Coqueiros, com uma fachada discreta e elegante. Por dentro, é outra história: um espaço de bom gosto raro, dedicado quase que inteiramente à Coleção Collaço Paulo, reunida ao longo de décadas pelo casal que dá nome ao instituto.
Neste artigo, contamos como o instituto nasceu, o que há no acervo, como funciona a programação de exposições e o que você precisa saber pra visitar.
- O que é o Instituto Collaço Paulo
- Como nasceu o Instituto Collaço Paulo
- O que tem no acervo do Instituto Collaço Paulo
- Exposições e programação
- Mostras que já passaram pelo instituto
- Além das exposições
- Como visitar o Instituto Collaço Paulo
- Perguntas frequentes sobre o Instituto Collaço Paulo
- Coqueiros ganhou um vizinho e tanto
O que é o Instituto Collaço Paulo
O Instituto Collaço Paulo é um centro de arte e educação particular, sem fins lucrativos, aberto em 2022 no bairro Coqueiros, em Florianópolis. Foi criado por Jeanine e Marcelo Collaço Paulo para abrigar e expor ao público a coleção de arte que o casal reuniu ao longo de décadas, com curadoria profissional e programação educativa gratuita.
Sem vínculo com o poder público e sem fins comerciais, o instituto é mantido pelo próprio casal fundador, com sede fixa no coração de Coqueiros desde 2022.
Como nasceu o Instituto Collaço Paulo
A casa abriu as portas em julho de 2022 com a exposição “Mais Humano: Arte no Brasil de 1850-1930”, assinada pela curadora-chefe Francine Goudel, doutora em artes visuais pela Udesc e mestre em história da arte pela Universidade de Barcelona, à época também tesoureira da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Segundo reportagem do Imagem da Ilha, a mostra reuniu 70 pinturas, duas esculturas e 34 artistas brasileiros e estrangeiros radicados no país, organizados em eixos que iam do retrato à cena de costume. Foi o tom que o instituto viria a manter: arte acadêmica de alta qualidade, com eventuais trabalhos de outras linhas.
Por trás da inauguração estavam Marcelo e Jeanine Collaço Paulo, colecionadores havia cerca de 40 anos, segundo reportagem veiculada pela Ganesha Press por ocasião da abertura. Antes de abrir as portas em Coqueiros, parte do acervo já circulava por instituições de peso: passou pelo Museu de Arte de Santa Catarina, na mostra “Sensos e Sentidos” de 2017, com 117 obras entre pinturas, esculturas e desenhos, conforme noticiado pelo Imagem da Ilha. A mesma cobertura relata empréstimos de telas para exposições no Museu de Arte Moderna de São Paulo e na Pinacoteca de São Paulo.
O que tem no acervo do Instituto Collaço Paulo
O acervo reunido por Jeanine e Marcelo Collaço Paulo concentra representação de artistas brasileiros do século 19, entre eles Pedro Weingärtner, Victor Meirelles, Eliseu Visconti, Georgina de Albuquerque, Henrique Bernardelli e Pedro Américo. Também há espaço pra nomes catarinenses do século 20, caso de Sebastião Vieira Fernandes, Hassis e Martinho de Haro, além de peças de arte sacra, pinturas da Escola de Cuzco e obras europeias que remontam ao século 15.
É um acervo grande, viu? Depois de tantas vernissages, ainda não vimos duas exposições repetirem as mesmas telas. A cada mostra nova, tem obras inéditas, o que diz bastante sobre o tamanho da coleção guardada fora da vista do público.
Exposições e programação
A programação segue um ritmo já bem estabelecido: geralmente há uma exposição foco por vez, trocada a cada seis meses, em média. Não é o tipo de museu em que as mesmas telas ficam penduradas ano após ano esperando visitas escolares.
Mostras que já passaram pelo instituto
Entre as exposições depois da abertura está “Etérea“, em cartaz entre dezembro de 2023 e setembro de 2024, com mais de cem peças da coleção reunidas por Francine Goudel em torno de temas como fé, sagrado, profano e devocional, segundo reportagem da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Na sequência veio “Máscara Humana“, com apoio do Sesi e patrocínio da Prefeitura de Florianópolis pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, incluindo ações de acessibilidade como videoguias.
Mais recentemente, entre dezembro de 2025 e julho de 2026, o instituto recebeu “Céu e Terra dos Andes“, com cerca de 40 obras do núcleo de arte andina da coleção, centradas no período do vice-reinado do Peru, com curadoria dos professores peruanos Andrés De Leo e Diana Castillo, da Universidade de Engenharia e Tecnologia (Utec). Parte das pinturas, segundo reportagem do jornal catarinense ND+, pertenceu à coleção do ex-embaixador brasileiro Afonso Arinos, tendo sido adquiridas em leilão. Foi a primeira colaboração dos dois curadores peruanos com uma instituição brasileira.
Linha do tempo das exposições
Esta lista acompanha, na fonte oficial do instituto, todas as mostras já realizadas desde a fundação. Atualizamos sempre que uma exposição nova entra em cartaz.
- Mais Humano: Arte no Brasil de 1850-1930 (jul 2022): exposição de abertura, com 70 pinturas e duas esculturas de artistas brasileiros e estrangeiros radicados no país.
- Indivisível Substância: Martinho de Haro e Florianópolis: 46 obras de Martinho de Haro, com curadoria de Francine Goudel e Ylmar Corrêa Neto, ao lado de peças de Bruggemann, Eduardo Dias e Othon Friesz.
- Elke Hering: Metamorfoses: terceira mostra do instituto, para marcar um ano de existência, com 75 trabalhos da artista produzidos entre 1956 e 1994, curadoria de Denise Mattar.
- Etérea (dez 2023 a set 2024): mais de cem peças da coleção em torno de fé, sagrado, profano e devocional.
- Máscara Humana (out 2024 a abr 2025): 80 pinturas e desenhos e 25 objetos pessoais de Rodrigo de Haro (1939-2021).
- Inventário Contemporâneo: sexta exposição do instituto, com artefatos indígenas, mapas e 48 obras de diferentes períodos e materialidades.
- Céu e Terra dos Andes (dez 2025, já encerrada): 40 pinturas do núcleo de arte andina, curadoria de Andrés De Leo e Diana Castillo, da Utec.
Além das exposições
O instituto mantém atividades educativas regulares, como o ciclo de debates Instituto Conversa, o Clube de Colecionadores de Arte de Coqueiros, criado em 2022, e encontros gratuitos de formação para professores a cada nova mostra, com certificado de participação. Toda a programação, é gratuita e aberta a amplo público. O instituto também participa da Maratona Cultural, evento multidisciplinar de música, dança, teatro, circo, literatura, cinema e artes visuais que, conforme a ABCA, já impactou cerca de um milhão de pessoas ao longo das edições.
Desde a fundação, mais de 8 mil crianças, a maioria de escolas públicas, já visitaram as exposições do instituto, segundo reportagem do ND+. É talvez o dado que melhor resume a proposta do lugar: um acervo de museu grande, e portas abertas como uma escola de bairro.
Em 2024, o instituto publicou seu primeiro livro impresso, “Rodrigo de Haro e a Ópera do Mundo”, de Raul Antelo. A obra chegou à lista de finalistas do Prêmio Sérgio Milliet, da ABCA, o que mostra que o projeto foi além da curadoria de exposições e passou a produzir pesquisa e conteúdo próprio.
Em 2025, o instituto entrou também para o circuito acadêmico: sediou, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Udesc e apoio da ABCA, a segunda edição do seminário “Tudo se Deseja Ver: Mergulhos na Coleção Collaço Paulo”, reunindo pesquisadoras de universidades catarinenses em torno do próprio acervo do instituto.
Como visitar o Instituto Collaço Paulo
O instituto fica na Rua Desembargador Pedro Silva, 2568, no bairro Coqueiros, em Florianópolis. Funciona de segunda a sábado, das 13h30 às 18h30, e fecha aos domingos e feriados. A entrada é gratuita e não exige reserva prévia pra visitas individuais. Grupos podem agendar visita educativa direto pelo site do instituto.
Não há estacionamento próprio, mas isso não é um problema: naquele trecho da Rua Desembargador Pedro Silva sempre há vagas nos dois lados da rua. Você não vai ter problemas para estacionar, a menos que esteja em andamento algum evento gigante, o que é raro ali.
Perguntas frequentes sobre o Instituto Collaço Paulo
Aqui reuni as principais perguntas sobre o Instituto Collaço Paulo, seja para você relembrar o que leu, ou para consultar depois.
O Instituto Collaço Paulo é gratuito?
Sim. A entrada é gratuita tanto para as exposições quanto para as atividades educativas do instituto, sem necessidade de ingresso ou reserva prévia para visitas individuais.
Qual o horário de funcionamento do Instituto Collaço Paulo?
O instituto funciona de segunda a sábado, das 13h30 às 18h30. Fica fechado aos domingos e feriados.
Onde fica o Instituto Collaço Paulo?
O instituto fica na Rua Desembargador Pedro Silva, 2568, no bairro Coqueiros, em Florianópolis, entre o Café Cordel e o Restaurante Casa Mendonça. Não tem estacionamento próprio, mas há muitas vagas na própria rua.
O que é a Coleção Collaço Paulo?
É o acervo reunido por Jeanine e Marcelo Collaço Paulo ao longo de décadas, com peças de arte acadêmica brasileira do século 19, artistas catarinenses do século 20 e obras europeias mais antigas.
O Instituto Collaço Paulo tem atividades além das exposições?
Sim. Mantém ciclos de debate, encontros gratuitos de formação para professores, ações de acessibilidade como videoguias, e já sediou um seminário acadêmico em parceria com a Udesc sobre a própria coleção.
Coqueiros ganhou um vizinho e tanto
Depois de tantas vernissages, o que ainda nos surpreende no Instituto Collaço Paulo não é só o tamanho do acervo. É o fato de um projeto sério, com curadoria profissional e uma coleção reunida ao longo de décadas, seguir sendo tocado com a informalidade de quem recebe amigos em casa. É sempre muito agradável participar dos eventos, visitar as exposições que têm uma curadoria sempre muito cuidadosa e saber que sempre vamos encontrar bons trabalhos ali.
Você já foi ao Instituto Collaço Paulo? Qual foi a exposição que mais te marcou por lá?

