Juarez Machado é um pintor e ilustrador catarinense conhecido pela irreverência na vida e em suas obras. Mas ele também ficou conhecido por algo bem particular: nos anos 1970, ele aparecia no bom e velho “Fantástico”, encarnando um mímico que interagia com os próprios desenhos ao vivo. Agora, décadas depois, é nas telas coloridas cheias de mulheres, boemia e cenas de cabaré que seu nome circula.
E quem conhece ele minimamente, além dessas cenas que predominam na sua obra, há dois motivos que aparecem com muita frequência: bicicletas e guarda-chuvas. E isso está diretamente ligado à sua cidade natal: Joinville.
Quem já morou em Joinville sabe: por lá, guarda-chuva não é enfeite não. É um acessório que faz parte do kit sobrevivência de qualquer cidadão. Já as bicicletas, são um meio de transporte sério de verdade por lá. A cidade é estatisticamente a mais chuvosa de Santa Catarina, e disputa acirradamente o posto de uma das mais chuvosas do planeta. Além disso, ela carrega, há décadas, o apelido de cidade das bicicletas, e faz jus a isso: tem uma malha de ciclovias que poucas cidades brasileiras conseguem igualar.
Com esse background deu pra entender o motivo pelo qual guarda-chuvas e bicicletas aparecem tanto na obra de Juarez Machado, né? Há inclusive um quadro dele, bastante conhecido, chamado “A Mulher, a Bicicleta e o Guarda-chuva”. Joinville está na pintura dele tanto quanto ele está em Joinville.
Nascido em 1941, hoje Juarez Machado vive a maior parte do ano em Montmartre, em Paris. Seu nome, no entanto, está espalhado pela cidade natal, do teatro ao instituto que carrega sua assinatura. Nesse artigo, vou te apresentar esse ícone, de onde ele veio, por onde passou e o que faz a obra dele tão reconhecível.
- De Joinville a Curitiba: os primeiros passos de Juarez Machado
- Vinte anos no Rio e a televisão brasileira
- De Montmartre para o mundo
- Juarez Machado por toda Joinville
- O que marca a pintura de Juarez Machado
- O Instituto Internacional Juarez Machado em Joinville
- Perguntas frequentes sobre Juarez Machado
- Seja em Joinville, Rio ou Paris, Juarez Machado é um dos grandes nomes do cenário artístico brasileiro
De Joinville a Curitiba: os primeiros passos de Juarez Machado
Juarez Machado tem uma trajetória e tanto. Nascido em Joinville, ainda jovem se mudou para Curitiba. Lá ele cursou a Escola de Música e Belas Artes do Paraná entre 1961 e 1965. Foi ali que ele começou a criar sua própria linguagem e aprimorou algo que ele fazia desde criança: o desenho. Ainda ali, por volta de 1964, ele realizou sua primeira exposição individual.
Curitiba, no entanto, foi só o começo. Em 1966, Juarez se mudou para o Rio de Janeiro e aí sua vida deu um salto emblemático.
Vinte anos no Rio e a televisão brasileira
No Rio, Juarez Machado não se dedicou exclusivamente à pintura. Ele passou a trabalhar para a Rede Globo, tendo estado ligado à emissora por mais de vinte anos. Naqueles corredores ele trabalhou nos núcleos de criação e humor. Fez vinhetas, aberturas, cenários e figurinos para diversos programas como, por exemplo, “Faça Humor Não Faça Guerra” e “Balão Mágico”.
Além disso, trabalhou em videoclipes e produções musicais de nomes como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago.
Em 1975 ele ficou conhecido no Brasil todo ao viver, no “Fantástico”, um mímico que interagia com seus próprios desenhos. Quem é mais jovem talvez não entenda de imediato o impacto disso. No entanto, aparecer no Fantástico nos anos 1970 era chegar a praticamente todos os lares do país de uma vez só.
Mas não ficou só nisso. Juarez Machado também assinou a direção de arte e o roteiro de produções como “Kika e Xuxu” e “Uma Pantera em Minha Cama”, além de ter transitado entre a cenografia, a mímica e a escrita. Com isso tudo, fica claro que uma das principais características de Juarez Machado enquanto artista é a experimentação. Ele transitou por muitos mundos, mas o centro de tudo, para ele, sempre foi a pintura.
De Montmartre para o mundo
Por volta de 1986, Juarez Machado decidiu alçar voos mais longos. Ele se mudou para Paris e fixou residência no bairro de Montmartre. É lá que ele montou o ateliê onde trabalha até hoje, a literalmente um oceano de distância de Joinville, mas ainda pintando suas bicicletas aqui e acolá.
No entanto, ele nunca cortou o vínculo com o Brasil. Ele também possui um ateliê no Rio de Janeiro e o Instituto Juarez Machado em Joinville, ou seja: seu vínculo com o Brasil continua intacto. Sua obra circula nos dois continentes, através de exposições, livros e edições especiais.
Juarez Machado por toda Joinville
Sua obra é tão significativa para Joinville, que quem mora lá esbarra com o seu nome em diversos lugares além do Instituto. Há o Teatro Juarez Machado, que foi inaugurado em 2001, que é uma das principais casas de espetáculo da cidade e fica dentro do complexo conhecido como Centreventos Cau Hansen – que é o mesmo que abriga a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil no Brasil, que é a única filial fora da Rússia. O próprio Juarez assinou um mural e uma escultura para o teatro.
A fachada do Centreventos possui uma das maiores obras de Juarez Machado, chamada de “O Grande Circo”, que é um mural de mais de 90 metros quadrados, composto por cerca de 963 peças de cerâmica pintadas à mão por ele. A obra foi encomendada em 1998 e viabilizada com doação de materiais pela Portobello. Juarez se refere carinhosamente a ela como a grande obra da sua vida. Não existe como passar pelo Centreventos e não ver, já que ela fica de cara para a rua
O que marca a pintura de Juarez Machado
A pintura de Juarez Machado é o que chamamos de figurativa, ou seja, representa figuras reconhecíveis, pessoas e objetos reais, ao contrário da arte abstrata. Suas obras são carregadas de cor e movidas por um humor que beira o caricato mas, ao mesmo tempo, te faz pensar. As cenas remetem à boemia, ao teatro e às noites dos anos 1920, com uma influência clara do art déco – estilo decorativo que explodiu entre os anos 1920 e 1930 – somada a um traço que lembra muito a ilustração e os quadrinhos.
Em suas obras, as mulheres aparecem quase sempre em poses que mais sugerem do que mostram. Temos também bicicletas e guarda-chuvas muito presentes, como já falei no começo desse artigo. Segundo o próprio Juarez, a bicicleta funciona como um símbolo de movimento dentro da pintura. No Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville, você encontra inclusive uma versão dela com rodas quadradas. Sim, quadradas. É exatamente o tipo de humor que está presente na sua obra inteirinha.
Ao longo da carreira, Juarez Machado expôs em inúmeros espaços como, por exemplo, o Centre Georges Pompidou, em Paris. Ele também teve obras suas participando de um leilão de arte latino-americana na Sotheby’s, em Nova York. E meu bem, a Sotheby’s não é pouca coisa.
O Instituto Internacional Juarez Machado em Joinville
Em 2014, a casa onde os pais de Juarez Machado moravam, no bairro América, em Joinville, virou o Instituto Internacional Juarez Machado. O espaço, que fica pertinho do MAJ – Museu de Arte de Joinville – reúne pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, cartazes e publicações de mais de seis décadas de obras dele, e também recebe exposições de outros artistas convidados.
Já visitamos o Instituto várias vezes, inclusive de bicicleta. E aqui uma cortesia que comprovamos na prática: quem chega até o local de bicicleta entra de graça. Numa cidade que se orgulha das duas rodas, esse mimo faz todo sentido.
Perguntas frequentes sobre Juarez Machado
As dúvidas mais comuns sobre o artista, reunidas aqui pra quem quer uma resposta rápida.
Quem é Juarez Machado?
Juarez Machado é um pintor brasileiro nascido em Joinville, Santa Catarina, em 1941. Trabalhou também com ilustração, cenografia, escultura, gravura e na televisão, e hoje vive em Paris.
Onde nasceu Juarez Machado?
Nasceu em Joinville, no norte de Santa Catarina, cidade onde hoje funciona o Instituto Internacional Juarez Machado, instalado na casa em que ele cresceu.
Onde ver obras de Juarez Machado hoje?
O maior acervo de obras dele está no Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville. Parte das obras também circula em exposições no Brasil e na Europa, além de galerias que revendem peças do artista. Há, inclusive, uma obra dele que sempre vejo pelos corredores internos do Instituto Collaço Paulo, em Florianópolis, e vi recentemente uma no CIC.
Seja em Joinville, Rio ou Paris, Juarez Machado é um dos grandes nomes do cenário artístico brasileiro
Juarez Machado tem um traço que você reconhece antes mesmo de ler a ficha técnica de uma tela. Ele tem uma trajetória de peso inegável: passou pela TV brasileira, montou ateliê em Paris, experimentou cenografia, mímica e escrita, mas nunca largou a pintura.
Se você ainda não viu uma obra dele pessoalmente, o Instituto em Joinville é o melhor lugar pra começar.
Você já conhece?

