O MON Curitiba é um daqueles lugares que você reconhece antes mesmo de saber que é ele. A torre suspensa em formato de olho, plantada em frente ao prédio horizontal no Centro Cívico, virou um dos cartões-postais da cidade e ponto de referência para qualquer pessoa que passe por ali. Mas o Museu Oscar Niemeyer é muito mais do que a fachada (que, admitimos, é absurdamente fotogênica). Com aproximadamente 14 mil obras no acervo e mais de 35 mil metros quadrados de área construída, o MON é o maior museu de arte da América Latina, e essa não é uma daquelas estatísticas genéricas: você sente o tamanho quando está lá dentro.
Estivemos no MON recentemente, e este artigo é o resultado dessa visita: o que vimos lá dentro e o que achamos que você precisa saber antes de ir. Contamos como funciona a visita, quanto custa, o que pode e o que não pode levar, e o que esperar da programação.
- O que é o Museu Oscar Niemeyer
- Por que o MON é chamado de Museu do Olho
- A arquitetura do MON Curitiba
- O que ver no MON Curitiba
- Como é visitar o MON Curitiba hoje
- Um cafézinho e merch do MON Curitiba
- Programação e rotatividade
- Horário, ingresso e como chegar ao MON Curitiba
- Perguntas frequentes sobre o MON Curitiba
- O MON é uma parada obrigatória em Curitiba
O que é o Museu Oscar Niemeyer
O Museu Oscar Niemeyer é um museu de arte vinculado à Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. Foi inaugurado em 22 de novembro de 2002, inicialmente com o nome de Novo Museu. Em 2003, ganhou o nome atual em homenagem ao arquiteto que projetou os dois edifícios do complexo.
O acervo cobre artes visuais, arquitetura e design, e vai da arte paranaense às coleções asiática e africana. São aproximadamente 14 mil obras, distribuídas em mais de 15 espaços expositivos. Em 2024, o museu recebeu mais de 700 mil visitantes, segundo dados do próprio MON.
A sede do MON Curitiba fica no bairro Centro Cívico, na Rua Marechal Hermes, 999, cercada por um bosque de araucárias e a poucos minutos do centro de Curitiba.
Por que o MON é chamado de Museu do Olho
Porque a torre parece um olho. É só por isso mesmo.
A explicação oficial diz que a forma do anexo do MON Curitiba faz referência à araucária, árvore símbolo do Paraná. Pode ser que Niemeyer tenha pensado nisso? Claro. Mas o público olhou para aquela estrutura suspensa a 30 metros de altura, com duas superfícies curvas de concreto branco contrapostas sobre uma base revestida de cerâmica, e viu um olho. O apelido pegou, o nome oficial não pegou, e “Museu do Olho” virou a forma mais popular de se referir ao lugar.
Dentro da torre ficam salas de exposição, o Espaço Araucária e um miniauditório. O acesso é feito por uma passagem subterrânea que liga o prédio principal ao Olho, além de rampas curvas externas. É uma experiência à parte: você desce, cruza o túnel e sobe até o olho, e a sensação é de estar entrando em outro edifício, com outra escala, outro tipo de luz. Recomendamos.
A arquitetura do MON Curitiba
O complexo do MON Curitiba tem dois momentos distintos da obra de Oscar Niemeyer, separados por mais de trinta anos.
O prédio principal, horizontal e de linhas retas, foi projetado em 1967 para abrigar o Instituto de Educação do Paraná. Contudo, nunca chegou a ser usado para esse fim. A obra foi inaugurada em 1978 com o nome de Edifício Presidente Humberto Castelo Branco e virou sede de secretarias estaduais. Ali ficou até 2001, quando o governo do Paraná, sob governo de Jaime Lerner, decidiu transformar o espaço em um museu. Visionário.
O segundo momento é o “Olho” (desculpa Oscar): projetado por Niemeyer para ser construído em frente ao prédio existente, usando concreto protendido, que é uma técnica que aplica tensões prévias ao concreto e permite criar vãos muito grandes sem apoios intermediários. A base da torre é revestida por cerâmicas com desenhos do próprio Niemeyer. A construção levou seis meses, com mais de 600 operários em três turnos.
Niemeyer tinha 95 anos quando o projeto foi concluído. Na inauguração, ele disse estar tão emocionado quanto na ocasião das obras de Brasília.
O paisagismo que conecta os dois edifícios ao Centro Cívico é assinado por Burle Marx.
O que ver no MON Curitiba
O MON realiza cerca de 20 exposições por ano, entre temporárias e mostras do acervo permanente. Isso significa que, se você foi há seis meses, provavelmente vai encontrar coisas diferentes na próxima visita. Essa rotatividade é um dos pontos fortes do museu.
Coleção Poty Lazzarotto
Poty Lazzarotto (1924-1998) é um dos nomes mais importantes da arte paranaense. Gravurista, desenhista e ilustrador, ele criou o primeiro curso de gravura do MASP e deixou sua marca por toda Curitiba, em painéis de azulejo e concreto espalhados pela cidade.
Em 2022, o MON Curitiba recebeu a maior doação de sua história: aproximadamente 4.500 peças de Poty, incluindo mais de 3 mil desenhos, 366 gravuras, tapeçarias, serigrafias e esculturas. A doação foi feita pelo irmão do artista, João Lazzarotto. A coleção ocupa o eixo central do prédio. A quantidade de desenhos é impressionante, e muitos deles mostram cenas do cotidiano curitibano com um traço preciso e cheio de vida.
Coleções asiática e africana
O MON Curitiba mantém coleções permanentes de arte asiática e africana. A coleção asiática, inaugurada em 2018, foi a primeira ala asiática permanente em um museu brasileiro. Inclui caligrafias, esculturas, pinturas e gravuras de diferentes períodos e origens. A coleção africana complementa o acervo com peças que ampliam o repertório do museu para além do eixo ocidental. É simplesmente a melhor exposição de arte africana que já vimos, de longe. Ela é muito variada, quando muitas se reduzem a máscaras africanas, alguma cerâmica e meia dúzia de esculturas parecidas. Tem até uma deusa Nimba.
Espaço Niemeyer
No subsolo do prédio principal fica uma exposição permanente dedicada ao próprio arquiteto: projetos, maquetes e fotografias das obras de Niemeyer. Para quem se interessa por arquitetura, é uma parada obrigatória. Para quem não se interessa, pode ser a porta de entrada para começar a prestar atenção.
Pátio das Esculturas
Também no subsolo do MON Curitiba, o Pátio das Esculturas abriga obras tridimensionais do acervo permanente. É um espaço que muita gente passa rápido, mas que rende se você tiver tempo para olhar com calma. Tem até grafitti dOs Gêmeos lá.
Salas de exposição
O primeiro andar do prédio principal do MON Curitiba concentra nove salas dedicadas a mostras temporárias. É ali que acontece a maior parte da rotatividade do museu: exposições nacionais e internacionais, de arte contemporânea a retrospectivas de artistas consagrados. Nem tudo vai agradar o seu gosto pessoal (é um museu grande, e museus grandes têm de tudo), mas a curadoria costuma manter um nível alto.
Como é visitar o MON Curitiba hoje
Fomos ao MON Curitiba há pouco tempo, no final de julho de 2026, e a experiência foi excelente. O museu é gigante, e isso não é força de expressão: são vários andares de salas de exposição no prédio principal, mais a torre (que também sempre tem alguma mostra em cartaz), mais o subsolo com o Espaço Niemeyer e o Pátio das Esculturas. Reserve pelo menos duas a três horas se quiser ver tudo com calma. Bom, se você é do tipo que gosta de ler as fichas técnicas e observar os detalhes, uma manhã inteira não é exagero, e ainda assim pode ser que você não veja tudo. É bastante coisa mesmo.
Na entrada, você passa por um detector de metais e precisa mostrar objetos metálicos e o conteúdo de bolsas e mochilas à equipe de segurança. Mochilas, malas e bolsas grandes devem ser deixadas no guarda-volumes durante a visita (o ideal é trazer o mínimo possível de objetos). Também não é permitido entrar com líquidos, alimentos, guarda-chuvas, objetos pontiagudos, brinquedos ou tripés fotográficos (sem autorização). Se você tiver criança que usa mamadeira, o acesso precisa ser autorizado pela equipe de segurança, e a mamadeira só pode ser usada fora das salas de exposição. Os armários do guarda-volumes são fechados à chave pelo próprio visitante. Mas atenção: eles são limitados. Então é sábio ir com uma bolsa pequena e poder levá-la com você museu adentro.
Uma dica prática: a maior concentração de público costuma acontecer a partir das 14h30, especialmente nos fins de semana, nas quartas-feiras e no último domingo do mês (que são os dias de entrada gratuita). Se puder, vá pela manhã. Nós fomos e valeu muito a pena, pois nossa entrada foi rápida, mas quando saímos a fila estava enorme.
Fotografias são permitidas, mas sem flash (a luz do flash pode alterar as cores das pinturas ao longo do tempo). Tripés e gravações precisam de autorização prévia.
Os ingressos podem ser comprados online, nos totens de autoatendimento na entrada ou nos guichês. Para quem prefere menos filas, o totem é prático e rápido, foi num desses que pegamos o nosso ingresso.
Um cafézinho e merch do MON Curitiba
Depois de algumas horas de museu, a Prestinaria (A Casa dos Pães) é a parada certa para repor as energias. Fica no térreo do prédio, ao lado da bilheteria, numa área que não exige ingresso. O espaço é aconchegante, com mesas, tomadas para carregar o celular, uma vitrine que dá vontade de pedir tudo e um atendimento caprichado. O menu tem cafés, croissants, sanduíches, cookies e outras opções a preços justos. Nós sempre fazemos esse pit stop, e ele já virou parte do ritual da visita. Também no térreo, a lojinha do MON tem livros de arte, camisetas, objetos de design e outros itens do museu. Não é uma loja de lembrancinhas genérica, dá vontade de levar tudo – tem uma bolsa preta lá que eu quase chorei por não trazer.
E se o dia estiver bonito (o que em Curitiba é praticamente um evento, já que a cidade registrou chuva em cerca de 40% dos dias de 2025, o suficiente para justificar o apelido de “Chuvitiba”), aproveite o espaço ao ar livre do museu. A área verde ao redor do complexo, com gramado e araucárias, é onde os visitantes se espalham para tomar sol, descansar ou simplesmente apreciar a arquitetura do Olho de um ângulo diferente. Quando o sol aparece em Curitiba, ninguém desperdiça. Não desperdice também. Por sorte, fomos em um dia de sol. De lá fomos a outro museu, então não aproveitamos o espaço, mas se você tiver um dia livre, faça seu piquenique. Tem muito espaço.
Uma coisa que o próprio museu avisa (e que repetimos aqui): por causa do volume de exposições, algumas salas podem estar temporariamente fechadas para montagem de novas mostras. Isso não reduz o valor do ingresso e é anunciado com antecedência. Antes de ir, confira a programação no site do MON para saber o que está em cartaz.
Programação e rotatividade
O MON troca suas exposições com uma frequência que poucos museus brasileiros acompanham. São cerca de 20 mostras por ano, o que significa que o museu raramente repete a experiência de uma visita para outra. Para quem mora em Curitiba, isso faz do MON um lugar para voltar com regularidade. Para quem está de passagem, qualquer época do ano vai ter algo bacana em cartaz.
A programação atual pode ser conferida no site oficial do museu. É o canal mais confiável para saber o que está em cartaz e o que está por vir.
Visitas guiadas acontecem às sextas-feiras, às 15h, sem necessidade de agendamento além do ingresso. Para grupos (até 15 pessoas), é possível agendar visitas mediadas pelo telefone (41) 3350-4448 ou pelo e-mail agendamento@mon.org.br, de terça a sexta.
Horário, ingresso e como chegar ao MON Curitiba
Horário de funcionamento: terça a domingo, das 10h às 18h. O acesso às salas de exposição é permitido até as 17h30. Às segundas-feiras, como o padrão, o museu está fechado (salvo exceções pontuais).
Em dias de maior movimento, como quartas-feiras e último domingo do mês, a venda de ingressos pode ser encerrada antes das 17h30 para garantir o conforto e a segurança dos visitantes.
Ingresso: R$ 36 (inteira) e R$ 18 (meia-entrada). Têm direito à meia-entrada estudantes, professores, doadores de sangue, pessoas com deficiência e um acompanhante, titulares da ID Jovem, pessoas com câncer, mesários e profissionais de saúde do Estado do Paraná, entre outros.
Entrada gratuita: todas as quartas-feiras e no último domingo do mês, para todos. Nos demais dias, a gratuidade se aplica a menores de 12 anos, maiores de 60, museólogos e estudantes de Museologia, grupos agendados de escolas públicas, guias de turismo com grupos, jornalistas, taxistas credenciados à URBS, membros da APAP e membros do ICOM.
Endereço: Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba, PR.
Estacionamento: o MON tem dois estacionamentos terceirizados, com acessos pela Rua Marechal Hermes e pela Rua Manoel Eufrásio. Funcionam todos os dias, das 7h às 20h. Visitantes do MON têm desconto de 50% sobre a tarifa com a apresentação do ingresso validado na bilheteria ou no balcão de informações. Clientes da loja do MON recebem 25% de desconto com o comprovante de compra. Os descontos não são cumulativos. Na nossa última visita, fomos a pé (estávamos hospedados relativamente perto), então não vimos o valor exato. Como os preços costumam mudar, vá preparado para pagar, e não esqueça de validar o ingresso para garantir o desconto.
Transporte público: o MON é acessível pela Linha Turismo, que circula pelos principais pontos turísticos de Curitiba, e por diversas linhas regulares que passam pelo Centro Cívico.
Perguntas frequentes sobre o MON Curitiba
Abaixo, reuni um tira-dúvidas geral sobre o MON.
O que é o MON?
O MON Curitiba é o Museu Oscar Niemeyer, museu de arte vinculado à Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, inaugurado em 2002 em Curitiba. Com aproximadamente 14 mil obras e mais de 35 mil metros quadrados de área construída, é o maior museu de arte da América Latina.
Onde fica o MON em Curitiba?
O MON fica na Rua Marechal Hermes, 999, no bairro Centro Cívico, em Curitiba. Está a poucos minutos do centro da cidade e é acessível de carro, transporte público e pela Linha Turismo.
Por que o MON Curitiba é chamado de Museu do Olho?
Por causa da torre suspensa projetada por Oscar Niemeyer, cujo formato lembra um olho humano. A referência oficial é à araucária, mas o apelido “Museu do Olho” foi adotado pelo público e se tornou a forma mais popular de se referir ao museu.
Quanto custa o ingresso do MON?
O ingresso no MON Curitiba custa R$ 36 (inteira) e R$ 18 (meia-entrada). Todas as quartas-feiras e o último domingo do mês a entrada é gratuita para todos. Menores de 12 anos, maiores de 60 e outras categorias têm entrada gratuita em qualquer dia.
Qual o horário de funcionamento do MON?
O MON funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, com acesso às exposições até as 17h30. Fecha às segundas-feiras, no dia 1º de janeiro e no dia 25 de dezembro. Nas vésperas de Natal e Ano Novo (24 e 31 de dezembro), funciona das 10h às 14h, com acesso até as 13h.
O que não pode levar para dentro do MON Curitiba?
Mochilas, malas e bolsas grandes devem ficar no guarda-volumes. Líquidos, alimentos, guarda-chuvas, objetos pontiagudos ou cortantes, brinquedos e tripés fotográficos (sem autorização) também não são permitidos. Mamadeiras podem entrar com autorização da segurança, mas só podem ser usadas fora das salas de exposição. Os armários do guarda-volumes são fechados à chave pelo próprio visitante.
O MON tem estacionamento?
Sim, o MON Curitiba tem dois estacionamentos terceirizados, com entradas pela Rua Marechal Hermes e pela Rua Manoel Eufrásio. Funcionam das 7h às 20h. Visitantes do museu recebem 50% de desconto na tarifa ao apresentar o ingresso validado. Clientes da loja recebem 25% de desconto. Os descontos não são cumulativos.
O MON é uma parada obrigatória em Curitiba
Se você vai a Curitiba e gosta de arte (ou mesmo se ainda não sabe se gosta), o MON precisa estar no seu roteiro. O acervo é extenso, e a rotatividade de exposições garante que sempre haja algo novo em cartaz. É o tipo de museu que recompensa tanto a primeira visita quanto a décima.
Nós saímos de lá com vontade de voltar, como sempre. E com a certeza de que, quando voltarmos, vai ter coisa diferente. Qual foi a última exposição que você viu no MON?

